Sobre

A metodologia projetual que norteia o escritório Rodapé_ parte da compreensão de que arquitetura e linguagem podem ser entrelaçadas criando um solo fértil de pré-existência (material, tectônica, mas também linguística e imagética) – e sem alguma delas é impossível fazer coisa alguma. Levando isso em conta, qualquer demanda é potencial para a pesquisa de arquitetura: reformas, projetos do zero, residenciais, comerciais, edifícios tombados ou não. Trabalhamos com matéria e tectônica, criamos espaços e imaginários.

Somos um escritório jovem e nuclear. Nosso desejo é criar uma constelação de diálogos com outros grupos interessados nas pesquisas aqui levantadas ou tantas outras possíveis em diferentes áreas da criação e da pesquisa.

Qualquer levantada de interesse, contate a gente. Será um prazer trocar uma ideia.

Fixados nas paredes por colas sem validade (mas a esperança é que sejam infinitas), sua pretensão é ser para sempre estático, de preferência intocado. Resistente à água, aspiradores, roedores. Avessos ao pó. Como bons elementos de transição, são pequenos e não necessariamente fundamentais. No âmbito estético, existem para serem bonitos ou, no mínimo, para esconderem algo que antes era feio – as falhas. Para “dar acabamento”, dizem. Eles não devem ser chamativos. Devem ser discretos. Sem vaidade. Sutis. Recatados. Calados. Eles quase somem na memória, de tão modestos. No detalhamento de projeto arquitetônico executivo, eles são representados por um octógono, cujo interior existem números escritos. Na legenda – um retângulo no canto inferior esquerdo da folha – existem as especificações desses números, cada qual equivalente a materialidade correspondente. Madeira, mármore, aço, etc. Dezoito metros lineares. Embutir na parede. Invertido. Sobreposto. Inexistente.

Imaginei um rondar de pés; não passaria de imensos fios que emanharia-os por completo. Imaginei também o requadro-visual que uma roda ao entorno deles deve ter, um encarar de tornozelos pela frente, de dedos por trás. Enxergar os dedinhos como cabeças médias, o dedão o maior dos volumes, o pai de todos. Entender os arcos como cavernas, as chatas e as calvas. Os calcanhares rochosos. Ao topo das unhas, acompanhando a declividade do osso, encarar as labaredas das canelas. E depois se perder de vista nas alturas que as pernas podem ter; quem horizontal olha, de pouco entende sobre verticalidade. Contentar-se com as visões periféricas de quem percorre o perímetro das paredes lambendo o chão. Roda, ao entorno, dos pés.

Equipe

Luciana Ligeiro

Luciana Ligeiro é formada em Arquitetura e Urbanismo (2019) pela Associação Escola da Cidade. Inaugurou o Escritório Rodapé em 2021. Colaborou com o escritório de arquitetura Gafpa [Gent, Bélgica] e AR Arquitetos [São Paulo, Brasil]. Atuou como professora assistente na mesma instituição em que se formou na matéria “Meios de Expressão e Representação: Arte e Arquitetura” de 2021 a 2023. Cursa a pós-gradução “Arquitetura, Educação e Sociedade”, também na Associação Escola da Cidade. Desenvolve pesquisa na área de escrita, linguagem e arquitetura; desdobramentos do seu Trabalho Final de Graduação intitulado “ Imaginário, Dissolução e Espaço: 4 ocasiões onde escrita e arquitetura se encontram”.

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Mayumi Iwasse

Mayumi Iwasse é estudante de arquitetura e urbanismo no 5º ano na Universidade de São Paulo. Estagiou no setor de arquitetura na Superintendência do Espaço Físico da USP e com compatibilização e coordenação de projetos no Centro de Tecnologia de Edificações. Atualmente estagia no Rodapé.

 

 

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